quinta-feira, 17 de março de 2011

Foco Narrativo


Por Sakura

  Olá ficwriters! Estão todos bem? Sakura falando! ^^
 
  Bom, na semana passada a Mary postou falando sobre o novo sistema de horários do blog, certo? Então, nesta semana, é a minha vez de publicar uma aula... Vamos lá!
  No colégio, nas aulas de Redação, estamos trabalhando com textos narrativos. Na semana passada, a minha professora estava nos explicando a respeito de um dos aspectos de um texto desse tipo: o foco narrativo. Logo quando estava no meio da aula, eu já estava pensando: “Eu tenho que levar esse assunto para o blog!” Portanto, esse será o tema da aula de hoje.

  Para começar, o que vem a ser “foco narrativo”? Basicamente, é o modo como uma história é contada. Essa característica da narrativa refere-se ao tipo de narrador. Mas vamos bem devagar para ficar tudo bem claro.
  •  Narrador é como chamamos a “pessoa” que conta uma história. Não se deve confundir narrador com autor. O autor é uma pessoa real que escreve a história (este é você, ficwriter!); já o narrador é, digamos, um artifício que o autor utiliza para contar essa história. Para ficar mais fácil de entender, vamos pegar um exemplo que todo mundo conhece: Crepúsculo. Nessa história, Bella é a narradora, porque é ela quem nos conta tudo o que aconteceu. Mas Bella não é a autora da história, pois ela não a escreveu; quem a escreveu foi Stephenie Meyer, a autora.


  •  Basicamente, existem dois tipos de narrativa:

1. Narrativa em primeira pessoa
2. Narrativa em terceira pessoa

  Vamos falar de cada uma delas separadamente:
  A narrativa em primeira pessoa, também conhecida como POV (do inglês “Point Of View”, “Ponto de Vista”) é aquela em que a pessoa que conta a história – o narrador – participa dela como um personagem. Nela, o narrador não só conta os fatos, ele presencia os fatos e participa deles. Observe o exemplo abaixo:
  A maioria das outras pessoas parecia não estar nem aí, mas eu estava nervoso. Impaciente, eu batia a ponta da lapiseira na carteira, num ritmo rápido, sem mal tomar consciência do movimento. Estava ansioso, era algo que eu não podia evitar. Os minutos pareciam se arrastar, e a fiscal não chegava nunca com a temida prova de Matemática. Se demorasse mais, eu precisaria ser levado dali numa ambulância de hospício, porque já estava à beira da insanidade, de tão apavorado. Sim, eu tinha estudado; todos os dias, durante duas semanas inteiras, incansavelmente. Mas isso não queria dizer nada: não me impedia de achar que eu não sabia nada, não me impedia de suar frio, não me impedia de me sentir enjoado e não impedia que meu coração disparasse à ideia de que tudo dependia de eu passar ou não naquela prova.
(Improviso da Sakura)
  Finalmente um exemplo que não seja clichê, já não era sem tempo! [/apanha
  Er... Quero dizer... Então, neste exemplo, você pode observar que o narrador está inserido na cena, participa dela (aliás, ele é o protagonista – personagem principal – dela!). Isto caracteriza uma narrativa em primeira pessoa. É bastante fácil identificá-la; a dica é ver se o narrador fala de “eu” (primeira pessoa do singular) ou “nós” (primeira pessoa do plural). Lembrando, é claro, que esses pronomes nem sempre aparecem explícitos como no exemplo, às vezes eles ficam subentendidos através das formas verbais, mas aí é tranquilo de identificar (isto é, eu acho; qualquer dificuldade com isso, avisem-me nos comentários ou entrem em contato pelo AnimeSpirit ou no e-mail do blog, e eu terei o maior prazer em explicar).
  Agora vamos falar da narrativa em terceira pessoa.  Nela, o narrador está ali somente para nos contar a história, ele não faz parte dela de nenhuma forma (tanto que nesse tipo de narrativa o narrador nem mesmo possui um nome próprio). Conforme o nome sugere, nesse tipo de narrativa o narrador fala sempre de “ele”, “ela”, “eles” ou “elas”, ou seja, das terceiras pessoas do singular ou do plural. Observe o exemplo anterior, agora narrado em terceira pessoa:
  O garoto estava sentado na sala, aguardando que a fiscal chegasse com as provas de Matemática. Ele estava nervoso, fato que se observava facilmente pelo modo como batia com velocidade a ponta da lapiseira na carteira, criando um ruído que soaria enervante aos outros, se não estivessem tão ocupados em conversar. Eles – os outros – pareciam não se importar com as notas que tirariam, porque não aparentavam nem de longe estarem tão apreensivos quanto Simon. Mas, também, o caso dele era diferente: tudo dependia de seu desempenho naquela prova. Tudo estava em jogo ali. Os minutos se arrastavam lentamente, e ele estava à beira de um ataque de nervos...
(Improviso da Sakura)

  Acho que com este exemplo ficou clara a diferença entre um tipo de narrativa e outro, certo? Neste segundo exemplo, observa-se que o narrador está apenas contando sobre o nervosismo de Simon diante da prova; ele não estava na sala de aula naquele momento, e nem era o próprio Simon – ou seja, ele não faz parte da história, somente a conta para nós.
  •   Qual tipo de narrativa escolher?

  Bom, aí já é uma escolha pessoal; você deve escolher aquela que você acha que mais combina com a sua história e/ou aquela com que tem mais facilidade na hora de escrever (de preferência, sempre que possível, utilize a que para você é mais natural, que flui mais facilmente). Qual é a mais fácil? Nenhuma das duas: há quem tenha facilidade com a narrativa em primeira pessoa, há quem tenha com a terceira pessoa e há quem consiga escrever bem com ambos os tipos. Você tem que experimentar e ver qual é o seu caso.
  Apesar disso, há alguns gêneros que, em minha opinião, ficam melhores em um ou outro tipo de narrativa, e muitas vezes até mais fáceis de escrever. Lembrando que esta é a minha opinião; você pode não concordar comigo, e isso não quer dizer que qualquer um de nós esteja errado, ok? Mas eu vou deixar aqui para vocês os gêneros que em minha opinião ficam melhores com cada tipo de narrativa:

1. Primeira pessoa: Drama, Tragédia, Romance, Novela, Shoujo, Comédia, Terror e Horror
2. Terceira pessoa: Ação, Luta, Aventura, Shounen
 
  E é isto. Os demais gêneros, em minha opinião, dependem mesmo do tipo de história e tudo o mais, o que irá determinar a melhor escolha de tipo de narrativa.

   Antes de encerrar este tópico e começar a falar dos tipos de narrador (notem que até agora eu falei dos tipos de narrativa, o que é bem diferente), cabe aqui falar das vantagens e desvantagens de cada tipo de narrativa, o que certamente irá influenciar muito na sua escolha, dependendo do que você que enfatizar na sua história. Para ficar simples, vou passar aqui um quadro-resumo dos dois tipos de narrativa, que vocês podem inclusive salvar para referências futuras (mas, por favor, não coloque este quadro em seu site ou blog sem dar os devidos créditos ao De Ficwriter para Ficwriter; isso é proibido, assim como a reprodução de qualquer parte das nossas aulas):

Tipos de Narrativa - Vantagens e Desvantagens
 
  Mas é claro que essas são as vantagens e desvantagens que eu vejo; como isso tudo é muito pessoal, você pode ter opiniões diferentes das minhas. ^^’
  No entanto, vocês hão de concordar que algumas delas são incontestáveis, certo? Por exemplo, é inegável que com a narrativa em primeira pessoa você não pode explorar o interior de outras personagens, que não o (a) protagonista.

  • Tipos de narrador:

Bom, até agora nós vimos que a narrativa pode ser dividida em dois tipos: narrativa em primeira pessoa e narrativa em terceira pessoa. Dentro de cada um desses estilos narrativos, podem existir dois tipos de narrador. Vamos falar sobre eles agora:

1. Na narrativa em primeira pessoa, temos estes dois tipos de narrador:
O narrador-personagem é aquele que, além de contar a história, participa dela diretamente, como personagem principal. Um típico exemplo desse tipo de narrador é a série Percy Jackson e os Olimpianos – tudo gira em torno do Percy, e é ele quem conta a história para nós.
Já o narrador-testemunha participa da história, está lá no momento da cena, mas não é seu protagonista. Isto é, ele apenas age como uma testemunha, assistindo à cena e nos contando o que aconteceu. Para facilitar o entendimento, imaginem que aconteceu um crime: a testemunha viu o crime e pode descrevê-lo para o policial, mas não foi ela quem cometeu o crime. Lembrem-se sempre disso, que fica fácil diferenciar.

Observação importante: No caso deste tipo de narrativa, o narrador pode atuar em determinado momento como narrador-personagem, e em outro como narrador-testemunha, dentro de uma mesma história (mas em cenas diferentes, obviamente).

2. Agora, na narrativa em terceira pessoa, temos outros dois tipos de narrador:

O narrador-observador é aquele que assiste à história e nos conta o que aconteceu/está acontecendo, mas não está dentro da cena, fazendo parte dela. Ele apenas observa os fatos e conta para o leitor. Minha professora o comparou com uma câmera: ela filma tudo e nos mostra o que está acontecendo, e só o que está acontecendo.
Quanto ao narrador-onisciente... “Onis” significa “tudo”, e “ciente” significa “aquele que sabe”; por tanto, “onisciente” quer dizer, literalmente “aquilo que tudo sabe”. Este é aquele narrador que além de nos contar o que a personagem está fazendo, pode nos contar o que ela está pensando, o que ela está sentindo, enfim, aquilo que se passa no interior da personagem. Então, ele é mais que uma “câmera”, ele vê através da personagem. Ele sabe tudo, absolutamente tudo que há para saber a respeito dela, coisas que nem mesmo a própria personagem sabe a seu respeito. Ele pode nos contar sobre seu passado, presente e até mesmo futuro. Ele tudo sabe. Ok, isto está parecendo história de terror, então vamos parar por aqui. –q
Mas ficou clara a diferença, entre os dois, certo? Enquanto um conta apenas o que aconteceu/está acontecendo, o outro pode nos dar muitos outros detalhes e fazer muitas outras revelações.

Observação importante: Com este tipo de narrativa, não pode ter tanto narrador-observador quanto narrador-onisciente dentro de uma mesma história; ou ele é sempre onisciente, ou ele é sempre observador.
  Então é isto. Agora vocês sabem tudo o que há para saber sobre foco narrativo. E agora vocês me perguntam: “Certo, e para que serve isto mesmo?” Bom, se vocês observarem, eu não dei nenhuma grande dica nesta aula, nem lhes disse o que fazer ou deixar de fazer, não é? Esta aula, portanto, serviu apenas para ajudar-lhes a decidir que tipo de narrativa e de narrador escolher quando forem escrever suas histórias. E também é uma base importante para o assunto que planejo para a minha próxima aula: a descrição dentro da narrativa. O que quero dizer é o seguinte: isto não foi inútil, como talvez esteja parecendo para alguns, ok? (Digo isto porque algumas pessoas lá na minha escola ficaram dizendo que essa matéria não servia para nada, que você não precisa conhecer os elementos de uma narrativa, é só ir lá e escrever uma história e pronto. Mas não é bem assim... ¬¬)

  Bom, vamos aos nossos exercícios, então. Sim, eu sei que vocês estavam ansiosos por isto. 8D [/apanha
  Mas eu a partir de hoje começarei a fazer algo diferente nos exercícios, está bem? Vou começar a passar exercícios objetivos (de múltipla escolha), e dar o gabarito deles no final. Assim fica mais rápido para vocês fazerem e corrigirem, e não dá tanta preguiça. Fica melhor, não acham? No entanto, isso não quer dizer que eu vá deixar de passar exercícios discursivos (de escrever), hein? Afinal, isto aqui é um blog justamente para ensinar as pessoas a escrever, e você só aprende a escrever... Escrevendo. Não há alternativas.
  Enfim, vamos a uma pequena listinha de exercícios, então:

Exercícios:

ü        *Exercícios objetivos

01. Considere o trecho abaixo:

  A noite caía. Um silêncio mortal – literalmente – tomava conta do cemitério. Não havia movimento algum, exceto aquele provocado pela leve brisa ao acariciar a grama. Mas, também, não era esperado movimento, num lugar como aquele, onde a calmaria da morte reinava.
   De repente, um vulto se moveu, indicando que algum ser vivo ousava pisar naquele lugar e perturbar o descanso eterno das pessoas sob as lápides. Erick, com uma longa capa que chegava quase a tocar o chão e que possuía um capuz que lhe encobria a feiúra, andava decisivamente por entre os túmulos, sem se nem mesmo se sentir levemente assustado. Os mortos não o assustavam. Nada podiam fazer contra ele.
  O “Fantasma da Ópera” ajoelhou-se diante de uma velha lápide. Nela, podia-se ler vagamente um nome: Daaé. E então Erick pôs-se a chorar; estava prestes a fazer uma coisa horrível! Mas era necessário... Era necessário. Somente este pensamento e o fato de estar agora se desculpando com o pai de Christine podiam consolá-lo naquele momento.
(Improviso da Sakura)

Marque a alternativa correta:

a) Nesse trecho, temos uma narrativa em primeira pessoa, pois expressa os pensamentos e sentimentos da personagem principal.

b) Nesse trecho, temos uma narrativa em terceira pessoa com narrador-personagem, porque Erick é o personagem principal da história, e as ações dele são narradas.

c) Nesse trecho, temos uma narrativa em primeira pessoa com narrador-testemunha, porque a personagem principal nos conta o que ela está fazendo e pensando.

d) Nesse trecho, temos uma narrativa em terceira pessoa com narrador-onisciente, porque ele nos conta o que Erick está fazendo e como ele se sentia.

e) Nesse trecho, não é possível determinar o tipo de narrador, porque não há como saber se quem conta a história é ou não o próprio Erick.


02. Marque a alternativa em que o tipo de narrador do trecho está corretamente classificado entre parênteses:

a) “Eu acordei, sentindo minha camisa ensopada de suor. O pesadelo desta vez não fora com Voldemort, mas eu bem preferiria que tivesse sido. Teria sido muito menos assustador. Em pânico, sem me importar se o movimento brusco que fiz para me levantar acordaria a Ginny ou não, corri para o quarto de Lily. Minha filha não estava lá. Por um instante, eu não soube o que pensar, permanecendo paralisado à porta do quarto dela.” (narrador-onisciente)

b) “Alice agora já tinha 15 anos, não era mais criança. Isto é, aparentemente, porque ela nunca se esquecera do País das Maravilhas, nem do Mundo do Espelho. Sua imaginação nunca deixara de ter todo o brilho e a pureza da de uma criança. Ela recusava-se a deixar de ser infantil, mesmo que por fora já fosse uma ‘mocinha’, segundo as amigas de sua mãe. Assim, a garota seguia sua vida feliz, ignorando os comentários de todos os que falavam mal dela por continuar sendo daquele jeito, quando conheceu o terceiro mundo...” (narrador-secundário)

c) “Era uma vez... Ora, por que todas as histórias começam assim? Nem sequer faz sentindo! O que diabos quer dizer ‘era uma vez’? Agora não é mais uma vez? Aaargh! Pouco me importa! O negócio é o seguinte: meu nome é Kurogane (sem piadinhas idiotas!), e vou contar o que me aconteceu quando decidi continuar viajando com o moleque, aquele bolinho falante e aquele ser irritante... A pior, e ao mesmo tempo a melhor decisão de minha vida.” (narrador-testemunha)

d) “Pierre olhou ao redor, sem saber o que devia fazer a seguir. Seu primeiro pensamento, ao ver-se sozinho naquele país tão completamente diferente do seu, onde as pessoas nem sequer falavam a mesma língua que ele, seu primeiro pensamento foiOh My God! Eu sabia que não devia ter vindo sem o pessoal da banda!’” (narrador-personagem)

e) “Lelouch sorriu desdenhosamente para as imagens na televisão. Levantando-se, dirigiu-se ao local onde escondia o maior segredo de sua vida – a roupa de ‘Zero’. Felizmente para ele, C.C. não estava no quarto naquele momento. Era a hora perfeita para agir. Já completamente vestido, pegou a máscara negra e saiu a passos rápidos, diminuindo a velocidade apenas quando passou pela porta da cozinha, para anunciar: ‘Vou sair rapidinho, Nanali! Volto logo!’” (narrador-observador)

03. Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso:

(  ) Na narrativa em primeira pessoa, o narrador-personagem é aquele que conta algo que acontece com ele mesmo, enquanto o narrador-observador é aquele que conta algo que aconteceu com outra personagem, mas que ele presenciou.

(  ) “Liesel só sabia de uma coisa:daquele dia em diante, nunca mais veria os livros da mesma maneira.” Neste trecho, podemos afirmar que o narrador é um narrador-onisciente, porque sabe a respeito dos pensamentos de Liesel, mesmo que ele não seja a própria Liesel.

(  ) Quando a história é contada referindo-se a “nós”, podemos dizer que a narrativa é em primeira pessoa.

(  ) Numa mesma fanfic pode ocorrer ao mesmo tempo, dentro da narrativa em primeira pessoa, narrador-personagem e narrador-testemunha. Também pode ocorrer, numa mesma fanfic com narrativa em terceira pessoa, narrador-onisciente e narrador-observador.

(  ) “Brian sempre me dizia que eu não precisava pensar no adeus, porque estaríamos juntos para sempre. Agora o adeus chegou. Ele não está mais aqui, foi para um lugar de onde eu não posso trazê-lo de volta. E agora ele não está aqui para me dizer o que faço, deixando-me totalmente despreparada para isto. Como posso continuar vivendo sem ele?” Neste trecho, ocorre uma narrativa em primeira pessoa com narrador-onisciente.

A sequência correta é:

a) VFVFV
b) FFVVF
c) FVVFF
d) FVFVF
e) N.D.A. (Nenhuma das Alternativas)


*Gabarito (Seja honesto! Tente resolver as questões você mesmo, antes de conferir as respostas!)

01. D
02. E
03. C


  E é isto! Espero que tenham acertado tudo, hein? Qualquer tipo de questionamento sobre os exercícios (esse tipo de atividade sempre nos deixa meio em dúvida, eu sei disso...), perguntem nos comentários ou entrem em contato através do e-mail do blog ou do AnimeSpirit, ok? E mais uma coisa... Por favor, deem suas opiniões: é melhor continuar com este tipo de exercícios, ou voltar para os discursivos?
  Por fim, quero perguntar se vocês querem a resolução dos exercícios sobre pontuação. Ninguém pediu, mas eu acho que esse é um assunto que precisa ficar realmente bem claro, então me preocupa um pouco que ninguém tenha se manifestado quanto a isso...

  Então vou me despedir por enquanto. Espero que tenham gostado da aula! Até daqui a duas semanas!


Fonte:  Aula de Redação no colégio.

P.S.: Se houver qualquer tipo de erro, se a aula estiver talvez confusa ou algo assim, peço que me avisem nos comentários. Nem a Mary, nem o Jerry estavam disponíveis para revisar para mim hoje, então estou meio insegura quanto a isto. >.<"

sexta-feira, 11 de março de 2011

Novo horário de postagens!

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Espero que sim. ^^

Aqui é a Mary falando. Certo, viemos aqui hoje propor o seguinte para vocês: um horário totalmente novo, com aulas toda sexta-feira (cada sexta é uma ficwriter que escreve) de diversos assuntos. Assim, a gente não deixa o blog parado por muito tempo!

A próxima sexta-feira é da Sakura. Esperem a aula dela!!

Por favor, comentem o que acharam do nosso novo horário. :3


Mary

sábado, 5 de março de 2011

Vícios de Linguagem

Olá, pessoal! Mary falando!! o/

Ok, tenho algumas mil-explicações para dar, certo? Ok, como algumas pessoas sabem, meu colégio tem dois módulos de ensino, que o aluno pode escolher: info e regular. O regular é mais fácil do que o info, por ter seis aulas todo dia e não ter nada de computação, e abrange bem mais horário de aulas do que o info, tendo uma proporção de 2:1 para cada aula do info.
Já o info (que é o que eu estou fazendo) tem muito mais matérias de computação (Introdução ao Sistema Operacional, Programação, Arquitetura de Computadores e afins) e muito menos aulas de matérias normais (tipo português, matemática). E temos uma média de sete aulas por dia e duas vezes por semana, até oitava aula (mais especificamente, de terça e sexta). Para vocês terem noção, mal tive um mês de aula e já fiz quatro provas escritas e três provas orais! Sem contar os milhares de trabalhos...

*Mary começando a sufocar, faz uma pausa e continua a falar*

Ufa... Enfim, deu para perceber que eu estou um pouco enrolada na escola, certo? ^^’

Mas não vamos falar dos meus problemas, certo? Vamos falar da aula que eu preparei para vocês!


Vícios de Linguagem
Por Mary


Primeiramente, o que é um vício de linguagem? É um desvio da norma gramatical que fica feio, tanto escrito quando falado! Por exemplo, vamos supor que você está lendo uma fanfic que tem o seguinte trecho:

“Era desnecessário que ele me chamasse, afinal eu já me dirigia pela sala antes de ouvir o interfone tocar. Isso só me fez desviar da rota original, e no final tive que refazer o percurso de novo, subindo para o andar de cima.”

(Refazer o percurso, já mostra que você terá que fazer de novo, não precisa reforçar / Não, vai subir para o andar de baixo. u.ú)

Entenderam qual é o ponto? Ás vezes a repetição de recursos desnecessários cansa o leitor.

Agora, quais são os nomes dessas coisas chatas chamadas “Vícios de Linguagens”?


Pleonasmo Vicioso é a repetição desnecessária de uma informação.

Exemplo: Sakura olhava para tudo, para os lados, até para o chão. Ela reparou que o orvalho noturno da noite brilhava nas pequeninas flores de cerejeira.
Sempre que faz uma viagem ferroviária de trem, Natsu fica enjoado e Lucy tem que ajudá-lo.

( Para saber mais: Existe um vídeo bem legal e engraçado, falando sobre o pleonasmo que a gente usa no dia-a-dia sem perceber. Se quiserem entender melhor, assistam! http://www.youtube.com/watch?v=Qbm2w_T4laY )


Cacófato é o som desagradável provocado pela junção de duas ou mais palavras na cadeia da frase.
( Atenção, este vício de linguagem pode ser benéfico se você usá-lo bem, pois você pode deixar seus personagens incomodados se alguém os usar perto dele. Bem útil! )

Exemplo: Tenten cuspiu sangue. Na boca dela estava a prova da agressão que sofrera.
(Bocadela. Tentem falar rápido. Bo-cadela. Não fica com um sentido bem estranho e feio?)


Hiato ocorre quando há uma sequencia de vogais, provocando dissonância.

Exemplo: A menina o mediu friamente. – Ou eu ou outro faz o serviço.
Ele sacudiu a cabeça com vigor. – Não quero saber. Eu o ouvirei amanhã.


Colisão ocorre quando há muitas sílabas iguais na mesma frase.

Exemplo: Ino virou-se para Sakura sorrindo, sem esconder sua felicidade. – Sua saia saiu suja da máquina. Parece que alguém não vai sair com o Sasuke!


Ambiguidade ocorre quando, por falta de clareza, há duplo sentido da frase.
( Atenção: Este é o pior de todos! Não tem nada pior do que tentar descobrir o que o autor quis dizer na verdade, e aquele duplo sentido te atrapalhando! )

Exemplo: Itachi teve que chamar a atenção de Sasuke, por não ter tomado cuidado e ter batido seu carro no portão de casa. (O carro do Sasuke ou do Itachi?)



Entenderam certinho o que são vícios de linguagens e como pioram nossos textos? Muito bem, para fixarem melhor, passarei alguns exercícios, ok?

Identifique e classifique os vícios de linguagem:

1.       Ao toque da campainha, Itachi desceu para a sala de baixo para ser julgado.

2.       Yukito visitou Tohno, e depois saiu com seu carro.

3.       – Quieto! – Yukino estava com a orelha colada no aparelho de som. – Afine o ouvido quando ouvir esta música, é a melhor!

4.       O Papa pediu passagem para a Polônia.

Todos os créditos da Gramática 1996 – Paschoalin & Spadoto!


Obrigada por lerem esta aula! Ah é, e antes que eu me esqueça, muito obrigada por entregar o prêmio Dardos para duas ficwriters desocupadas que decidiram ajudar outras pessoas! Muito obrigada mesmo! Eu fiquei muito orgulhosa (de mim mesma), sério!

Até mais! (:

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Prêmio Dardos! + Ressuscitando o blog! \o/



Por Sakura

  Olá, ficwriters! Estão todos bem? Sakura falando! 

  Em primeiro lugar, queria me desculpar (e em nome da Mary também) pelo sumiço de meses! Eu e ela estamos muito ocupadas ultimamente (as duas começando o colegial, as duas estudando feito loucas...), por isso estamos um tanto sem tempo para escrever as aulas e dicas do blog. Mas eu falo mais sobre isso no fim do post, certo? 

  Mais importante, vamos ao assunto principal de hoje: o De Ficwriter para Ficwriter, em janeiro, foi premiado pelo Gebeon.com! Recebemos deles uma homenagem super legal, o Prêmio Dardos! Sei que devemos ter parecido ingratas, por termos demorado tanto a agradecer (o dono do Gebeon.com nos deixou um aviso a respeito da premiação no dia 15 de janeiro), mas só nesta semana que eu resolvi dar uma passadinha por aqui e vi o comentário! Eu e a Mary ficamos super emocionadas, realmente não esperávamos isso, ainda mais porque o blog estava parado há tanto tempo... Por isso, queremos pedir desculpas por demorar tanto a notar isso e também agradecer de verdade ao Gebeon.com por esta honra! Muito obrigada! Além de nos deixar muito felizes, isso nos deu um novo ânimo para “ressuscitar” o De Ficwriter para Ficwriter; vamos fazer por merecer esse prêmio! ^^
  

  Agora, a respeito do nosso sumiço e da falta de tempo... Como eu disse ali em cima, eu e a Mary estamos estudando muito neste ano, muito mais que no ano passado. Por isso, a falta de tempo é uma coisa óbvia. Então, tem estado bastante difícil para nós escrevermos e postarmos as aulas. Mas nós não queremos e não vamos desistir ainda! Eu decidi o seguinte: como há algumas aulas bastante complexas (a da vírgula, por exemplo, que eu estou devendo desde sei-lá-quando), que levam mais tempo para escrever e atrapalham bastante, eu tentarei fazer, enquanto trabalho nelas, alguns posts menores, com dicas ou aulas com assuntos mais simples. Assim, o blog não ficará parado por tanto tempo. Esta foi a única solução que encontrei por enquanto. Tudo bem assim? Nós não vamos deixar o “FicFic” (o nome do blog é tão grande, ne?) morrer!

  Ah, sim! Não posso deixar de mencionar isso aqui... De agora em diante, eu e a Mary teremos um ajudante: o meu melhor amigo, Jerry. Ele não vai escrever aulas como nós, mas irá nos ajudar sempre que precisarmos. Muito obrigada, Jerry! Sua ajuda é super bem-vinda agora! n3n

  Por fim, quero fazer-lhes um apelo: Pessoas, se vocês leem o blog, por favor, comentem! Quero dizer, se tivéssemos recebido mais comentários, provavelmente teríamos tomado uma atitude para “ressuscitar” o FicFic muito antes. Como não tínhamos muito retorno, imaginamos que não estávamos agradando/ajudando tanta gente assim, por isso não nos importamos tanto. Por favor, é tão ruim escrever algo e não receber comentários... Desanima qualquer um. Então, se puderem comentar, nem que seja dizendo apenas “Li e gostei!”, só para sabermos que vocês leram, ficaríamos imensamente gratas. É a única coisa que pedimos em troca de nossas aulas, não custa nada, não é?

  Bom, por hoje, vou ficando por aqui. Em breve, volto com mais aulas e dicas legais para vocês. 

  Mais uma vez, muito obrigada ao Rogério Chagas e a todos do Gebeon.com pelo Prêmio e ao Jerry por oferecer-nos ajuda. E, é claro, obrigada a todos que leem o De Ficwriter para Ficwriter! O blog não seria nada sem vocês! ^^

  Até a próxima! Obrigada pela visita!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Deu Branco!

Por Mary.

Olá, pessoal! Estão todos bem? Mary falando!

Realmente, desculpem a demora! Eu estou extremamente ocupada, estudando e tudo o mais (prestar vestibular mês que vem... x_x), e a Sakura também está sem tempo! Mas nós não abandonamos o blog! Mil desculpas!

Na aula de hoje, falaremos sobre uma coisa que acontece com todos os ficwriters em algum momento:

Você está escrevendo a sua fic, compenetrado e feliz. Já sabe tudo o que vai acontecer e tem todo o roteiro na sua mente. E de repente... Acaba. Você não consegue mais escrever nada. A história está prontinha na sua cabeça, mas as suas mãos não se coordenam. Faltam palavras.

Então, sinto muito, mas é o famoso “deu branco!”.

Tem vezes até que você sabe exatamente o que vai escrever. E a coisa simplesmente não sai, não se sabe por quê.

Então, aí vão umas táticas para escapar dessa situação horrível.


1 – Reler a fanfic.

Está totalmente travado e não consegue mais escrever? Então pare, respire fundo, tome um ar, e releia o que você escreveu.

Relendo, você pode retomar o fio do pensamento, recuperar aquela ideia genial e continuar escrevendo de onde você parou. Motivação, sempre!


2 – Escrever no papel.

Imagine que você está em um lugar sem o seu precioso arquivo de fanfics por perto, como... Na escola, talvez. E te dá a ideia-mor, aquela perfeita para continuar sua fanfic. Quando chegar a sua casa, provavelmente a ideia já vai ter fugido. Então, que tal você expulsar as teias de aranha do seu caderno e escrever a continuação da fanfic à mão?

Claro que depois dá trabalho para copiar tudo no computador, mas aí você já aproveita e “filtra” o que não gostou, riscando partes desnecessárias e/ou substituindo por outras.


3 – Esboçar a continuação de outro jeito.

Uma fanfic travada talvez precise de mais espaço para fluir. Que tal você usar outro jeito para continua-la? Além de te ajudar, pode ser um bom exercício terapêutico (eu acho).

Por exemplo, minha fanfic “Shine!” travou no capítulo 12. Eu fiquei um mês sem continua-la, totalmente desesperada, usando estratégias mentais e tudo. Nada funcionava. Até que eu comecei a desenhar.

Como se fosse em um mangá, eu esbocei a morte da minha personagem exatamente como eu queria. Foram surgindo palavras na minha cabeça, e eu consegui escrever o capítulo.

Pode parecer pouco prático, mas é uma ótima ajuda na hora de destravar sua fanfic.


4 – Pensar antes de dormir.

Antes de dormir, já feitos todos os rituais necessários (pijamas trocados, dentes escovados, ligação para o amigo colorido, etc etc.), deite-se e pense na sua fanfic. Imagine-a como se fosse um filme. Imagine os personagens, a história deles, a roupa que usam, as situações, os cenários... E agora continue a história. Se não conseguir... Volte ao começo de novo!

É um pouco complicado, pois corre o risco de você acabar dormindo sem chegar à parte que é para continuar. Mas também dá de outros jeitos. Eu costumo sonhar acordada se fico parada muito tempo no mesmo lugar e nada consegue prender minha atenção. Já pesquei muitas continuações assim.


5 – Reparar em outras coisas.

Sua fanfic não está andando de jeito nenhum? Largue mão por enquanto. Deixe-a de lado. Vá assistir algum filme. Ler outro livro. Pescar ideias em outro tipo de literatura.

Outro exemplo prático: eu tenho uma amiga escritora de fanfics também. A fanfic dela travou, então ela se enfezou e foi ler um pouco da série Percy Jackson (que, aliás, eu emprestei para ela). Depois de um tempo, ela foi tentar recomeçar escrever a fanfic e reparou que ela começou a caminhar normalmente, depois dessa pausa.

E a fanfic dela ganhou uns toques de comédia, depois de ela ter lido tanto Percy Jackson. Sim, a literatura que você escolheu ler também pode influenciar a sua fanfic.


6 – Desistir.

Mas não da fanfic. Apenas desista de continua-la. Talvez esse seja o ritmo natural da sua fanfic. Ela andará apenas quando estiver pronta para isso.

Um exemplo, eu tenho uma fanfic, acho que foi a primeira que eu escrevi. Comecei a escreve-la quando tinha meus nove anos, e até hoje eu não passei do capítulo 5. É o ritmo dela, e eu já me acostumei com isso.


E, por último, um detalhe importante.

Eu já vi várias fanfic que tem muito potencial no começo, parecem ser legais, eletrizantes... Mas começam a declinar do meio para o fim. E isso porque os autores querem postar os capítulos rapidamente, para satisfazer os fãs.

Ficwriters, vocês acham mesmo que tem algum prazo a cumprir? Os fãs podem esperar, o mundo pode esperar. Quando você não está inspirado, não tem jeito. É melhor escrever uma fanfic boa e demorada do que rápida, mas curta e malfeita.

E Ficreaders, não é delicioso esperar para o capítulo emocionante daquela fanfic que promete ser ótimo? Imaginar se o mocinho vai derrotar o vilão, ou a mocinha vai voltar dos confins do cemitério, seja lá qual for o acontecimento?

Pensem nisso. E espero que as dicas tenham ajudado. Até a próxima, ficwriters! Obrigada por lerem! ^^

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Pontuação (Geral)

Por Sakura

  Olá, ficwriters! Estão todos bem? Sakura falando!
  O tema desta aula será pontuação (sim, eu sei que vocês “adivinharam”, pelo título). É algo que, quando paramos para pensar, pode parecer simples, até bobo; mas eu já vi muitos cometendo erros nessa parte. Para ser sincera, em quase toda fanfic que leio encontro falhas, que acabam por prejudicar – e muito – a história. Pode parecer que não (afinal, por que uma vírgula, esse sinalzinho gráfico minúsculo e insignificante, seria assim tão importante?), mas acreditem-me, se vocês aprenderem a dominar a pontuação, isso já causará uma grande diferença nos seus textos.
  Uma vez conscientes da importância de saber usar a pontuação, o próximo passo é entender para que ela serve. Não, não é só para deixar o texto “bonitinho”. Para compreender melhor, leia o trecho abaixo em voz alta:

  Acordei de péssimo humor. Parecia que, de repente, todo o azar do mundo resolvera cair sobre mim. E falo sério. Quero dizer, é claro que o Sr. Peterson tinha que me dar aquela advertência justo agora que eu queria um celular novo; ter brigado com minha melhor amiga ainda não era o suficiente, eu precisava de mais problemas e aborrecimentos! Claro. Mas isso ainda não bastava. Oh, não! O David também tinha que ter escolhido justo aquela semana para terminar comigo. E agora tinha aquela ligação da minha “adorável” mãe, dizendo que estava chegando da França naquele fim de semana e que queria ter uma conversa séria comigo. Que maravilha... Agora estava tudo perfeito! 
(Improviso mais-que-clichê da Sakura)

  Ok, ok, admito. Talvez eu tenha exagerado “um pouquinho” no melodrama... Mas não importa.
  De volta ao que interessa... Bom, provavelmente, enquanto lia, você elevou e abaixou a voz (dando mais ou menos ênfase a algumas partes), fez algumas pausas, e até usou gestos e expressões faciais, para dar expressividade ao que você estava lendo, certo? Porém, na língua escrita não existem esses recursos que nós usamos ao falar. Então, para resolver esse problema, utilizamos os sinais de pontuação. Legal, ne?
  Existem dez sinais de pontuação diferentes:
, . ; : ? ! ... “ ” – ( )
 
  Vamos ver cada um individualmente e aprender a usá-los da maneira correta:

  I) Ponto:
  O ponto é, em minha opinião, a pontuação mais fácil de ser empregada. Afinal sua função é bem simples: basicamente, indica o final de uma frase, que pode ser um período simples (com apenas uma oração, ou seja, apenas um verbo ou locução verbal) ou com composto (com duas ou mais orações). Exemplos:
  Eu andava sozinha pelo corredor do colégio. (Período simples)
  Enquanto Iruka-sensei passava no quadro o esquema de circulação do chakra, Shikamaru dormia em sua carteira. (Período composto)
  Outro caso em que o ponto é empregado: quando usamos abreviaturas. Exemplos: Av. (avenida), Sr. (senhor), min. (minuto)

  II) Ponto-e-vírgula:
  Aqui, temos uma regrinha linda: “O ponto-e-vírgula é usado para marcar uma pausa curta demais para um ponto, e longa demais para uma vírgula”. Lindo, não? Chega a ser uma coisa quase poética! Mas afinal, o que é que isso quer dizer? Bom... Quer dizer isso aí mesmo. Calma, calma, não precisam me apedrejar! O que essa regra quer dizer é que o ponto-e-vírgula seria uma pausa intermediária entre o ponto e a vírgula. É complicado apontar os casos em que ele é utilizado, a Gramática não estabeleceu muitas regras quanto ao uso dele. Porém não se desesperem; pelo menos uma regra pode ser estabelecida:
  O ponto-e-vírgula é empregado para separar orações coordenadas, quando pelo menos uma delas já tem vírgulas, no seu interior. Exemplos:
  L, o maior detetive que o mundo já viu, tentava obstinadamente descobrir a identidade de Kira; porém este era muito esperto e não se deixaria capturar tão facilmente.
  As luzes se acenderam abruptamente; em seguida, reparei na figura parada ao lado do interruptor.
  Bom, esta era a única regra certinha escrita na minha Gramática. Mas eu aprendi também mais uma regra, e me parece válido postá-la aqui, então lá vai:
  O ponto-e-vírgula pode ser empregado para separar duas ou mais ideias enumeradas. Exemplo:
  Nem que vivesse mil anos, sei que jamais entenderia o motivo dele ter me deixado: eu sempre o amara mais que tudo, mesmo que às vezes me esquecesse de demonstrar; sempre fora incondicionalmente fiel a ele, e disso ninguém duvidava; nunca desobedeci às regras impostas por ele, por mais que me parecessem absurdas. O que eu fizera de errado?
  Fora estas duas regras, é difícil apontar os casos em que este sinal de pontuação é usado (inclusive, é isso o que está escrito na minha Gramática). Assim sendo, apenas decorar as regras não adianta: a melhor forma de aprender a usar o ponto-e-vírgula é mesmo observando sua aplicação em livros, revistas, textos encontrados na internet, outras fanfics e etc.; dessa maneira você poderá ver como ele é aplicado na prática e entender, de fato, sua função.
  Mais uma dica: Quando tenho dúvida se devo usar o ponto-e-vírgula, a vírgula ou o ponto, eu costumo ler o trecho em questão em voz alta e observar a duração da pausa: se longa, uso ponto; se curta, uso vírgula; se não parecer nem curta, nem longa, uso o ponto-e-vírgula. Mas evitem usar esse método, nem sempre ele funciona.

III) Dois-pontos:
  Este é realmente bem fácil de ser empregado. Ele apenas uma função básica: introduzir uma citação ou esclarecimento. Exemplos:
  Eu podia afirmar pelo menos isto: Naruto não desistiria de se tornar Hokage.
  Certa vez, Einstein disse: “O mais incompreensível do mundo é que é compreensível”.
  Simples, não?

IV) Ponto-de-interrogação:
  Outro que quase todo mundo, se não todo mundo, sabe usar. Este sinal de pontuação é utilizado quando fazemos uma pergunta direta. Exemplos:
  Se Sasuke já conseguiu derrotar Itachi, então por que não voltou para Konoha?
  Se aqueles que usam o Death Note não podem ir nem para o céu, nem para o inferno, então aonde eles vão após a morte?

V) Ponto-de-exclamação:
  É empregado normalmente depois de:
  1. Frases exclamativas (por que será, não?). Exemplos:
  Como é difícil escrever sem inspiração!
  Que lugar lindo!
  2. Interjeições (palavras que expressão uma emoção, um sentimento) e onomatopéias (palavras que representam um som). Exemplos:
  Ai! Isso doeu!
  Ouviu-se, então, um singular barulho vindo detrás da porta: Atchim!
  3. Verbo no imperativo (expressando ordens). Exemplos:
  – Desapareça da minha frente!
  – Nunca mais chegue perto da minha irmã novamente!

VI) Reticências:
  Os famosos “três pontinhos”. São empregados para indicar que uma frase foi interrompida:
  – Mas, Edward, eu juro que eu não...
  Ela acreditava piamente em tudo o que ele dizia, mas... eram apenas... doces mentiras.

VII) Aspas:
Há quatro casos em que as aspas são empregadas:
1. Indicar citações (frases ou trechos escritos por outras pessoas). Exemplos:
  E um dia assim foi dito: Neste mundo não existem coincidências: há apenas o inevitável.
  Foi o que Edward me disse: Seria melhor para você se nós não fôssemos amigos. – felizmente, eu não acreditei nele.
2. Destacar palavras de origem estrangeira, neologismos (palavras inventadas, mas que podem ser compreendidas pelas outras pessoas), gírias e etc. Exemplos:
  Eu sabia que ele viria me pedir desculpas e chegaria logo me chamando de baby. Nunca disse isso a ele, mas detestava quando me chamava daquela maneira.
  Joanne sentou-se em sua carteira e começou tranquilamente a adesivarseus cadernos, ignorando todas as pessoas à sua volta, como já era de costume.
3. Realçar palavras ou expressões. Exemplos:
  A tia perguntou se ele gostou do presente que ela tricotara especialmente para ele – um horroroso suéter azul, com a inicial do nome dele escrita em destaque, bem no meio, em amarelo berrante. Em desespero, olhou para a irmã em busca de ajuda. Anika então interveio para salvar a pátria: – Ah... É muito bonitinho, tia! – Alec esperou que a tia não percebesse as aspas no tom dela.
  Iruka-sensei disse que eu andava muito engraçadinho nos últimos dias. Obviamente, protestei: eu não andava engraçadinho!
4. Indicar a mudança de interlocutor nos diálogos. Exemplo:
  Só estou dizendo que seria melhor para você se afastar dele e esquecê-lo, ela disse. Era claro que não fazia ideia da dimensão do meu amor por aquele garoto.
  Desistir?!, exclamei, Não enquanto eles não devolverem a terra que nos pertence!, concluí, sob os aplausos de meus companheiros de guerrilha. 

VIII) Travessão:
O travessão serve para indicar que a pessoa que fala mudou, num diálogo. E também pode indicar a interrupção da fala do personagem e o começo da fala do narrador. Exemplo:
  Me deixe em paz, Naruto! Sakura falou um pouco mais alto, já irritada.
  Mas por que não, Sakura-chan?
  Eu já te disse milhares de vezes... É o Sasuke quem eu amo! Somente ele!
  Além disso, esse sinal de pontuação também é utilizado para destacar palavras, expressões ou frases (duplo travessão). Exemplo:
  L tinha certeza de que Raito e Kira eram a mesma pessoa, mas não podia fazer nada uma vez que não havia prova alguma , e assim continuou esperando pelo momento certo.
  Apenas observei enquanto o ladrão corria com o produto de seu roubo; aquele colar que eu ganhara de minha avó no Natal passado apesar de seu alto valor não significava nada para mim. Mas era verdade que Grandmère ficaria furiosa.

IX) Parênteses:
  Normalmente, colocamos os parênteses quando queremos dar alguma explicação ou fazer algum comentário que não faça sentido dentro da lógica da frase que estamos construindo. Exemplos:
  Estava muito nervosa (meu primeiro encontro com Damien!) e acho que por isso acabei escolhendo, quase automaticamente, minha blusa preferida (aquela roxa, que ganhara de presente da minha melhor amiga), a qual não parecia exatamente “adequada” para a situação. Tanto faz.
  O coração de Cho Chang pareceu parar, ao ver entrar o garoto (a quem todos agora se referiam como “O Eleito”). Como ela pôde rejeitá-lo quando teve a chance, quando o coração dele pertencia a ela?

X) Vírgula:
  Bom... A vírgula é o mais “problemático” sinal de pontuação. 99,9% dos erros de pontuação que vejo ocorrem porque as pessoas não sabem utilizá-la. Justamente por isso – e por ter regras mais complexas e numerosas – farei uma aula separada, para falar especialmente dela. Ou seja, nem ousem perder a próxima aula, hein? Será muito importante! Por enquanto, deixo aqui a única regrinha que nos ensinam sobre ela, quando estudamos o sinal de pontuação no comecinho do Ensino Fundamental, para que vocês reflitam a respeito dela e de seu significado:
  “A vírgula representa uma pausa no meio da frase, para que possamos respirar e tomar fôlego a fim de concluir a leitura.”
  A sério. Não estou brincando. Não sei se foi assim para vocês, mas foi isso que a “tia” me ensinou quando estudei os sinais de pontuação básicos, na terceira ou quarta série. Fala sério... Bom, por enquanto apenas pensem nessa regra maravilhosa aí em cima. Na próxima aula falamos mais sobre isso.

Uma última observação que acho necessária: os sinais de pontuação ficam sempre próximos da palavra da esquerda, exceto o travessão e o parêntese: o primeiro tem sempre um espaço antes e outro depois dele (no caso da mudança de interlocutores no diálogo, não é necessário um espaço antes do travessão, uma vez que o próprio parágrafo já é um espaço); o segundo tem um espaço antes dele, mas não há espaço depois de aberto, nem antes de fechar.

Agora, então, vamos aos exercícios nossos de cada dia! \o/ [/apanha

Exercícios

01. Reescreva a frase abaixo de forma que ganhe sentido, utilizando apenas um ponto e duas vírgulas:

  Maria toma banho porque sua mãe disse ela pegue a toalha.
  
Atenção: Não acrescente nada além dos sinais de pontuação pedidos.
 Esta é uma questão que caiu em um vestibular. Só não me perguntem qual, nem em que ano, eu não faço a menor ideia (foi meu pai quem me disse que era uma questão de vestibular, quando me falou para tentar resolver).

02. Empregue os sinais de pontuação que estudamos nesta aula, onde achar necessário (alguns eu já coloquei, para que faça pelo menos algum sentido, senão vocês provavelmente não conseguiriam nem entender o trecho, que dirá pontuá-lo):

  O garoto estava visivelmente apavorado Também, era difícil não se sentir assim, diante da expressão furiosa de Edward, mesmo não sabendo que ele era um vampiro
  Aonde ela foi, ele gritou
  E-Eu não sei, Brad (acho que era esse o nome dele) disse, numa voz praticamente inaudível
  Devo admitir que não estava lá muito mais controlada que meu marido, pelo contrário Ela não te disse absolutamente nada, perguntei exasperada A diferença entre o meu desespero e o de Edward era simples o dele era transformado em fúria, o meu, naquele estranho choro sem lágrimas dos vampiros.
  Vocês apenas o estão apavorando, ouvi a voz calma e melodiosa de meu cunhado, e em seguida toda a tensão do ambiente foi abafada por uma onda de calmaria artificial Agora diga-nos, Brad, onde viu Renesmee pela última vez?, Jasper perguntou tranquilamente, e eu sabia que, se ele não estivesse controlando as emoções ao redor, teria ficado irritada com aquilo.

  Melhor parar por aqui, antes que isto acabe virando fanfic (apesar de que acho que esse improviso ficou sem graça demais para se tornar uma boa história, mas enfim...). Não há, necessariamente, apenas uma resposta certa para esta questão.

03. Substitua um ponto ou uma vírgula por ponto-e-vírgula onde lhe parecer adequado (novamente, não há apenas uma resposta correta):

  A verdade era que ela o amava, mais do que devia ser possível, porém o medo de perder a amizade dele a impedia de se declarar. Tinha, é claro, curiosidade por saber se era correspondida. No entanto, temia que a resposta fosse “não”. Se fosse este o caso, preferia continuar sem saber. Sim, era melhor não saber... Não importava o quanto as amigas dissessem para perguntar. Ela não perguntaria. Era melhor, muito melhor, permanecer sem saber, apenas sonhando com uma resposta “sim”...

04. Reescreva as seguintes frases, utilizando apenas os sinais de pontuação indicados:

a) Era simples muito simples, de fato como as amigas diziam bastaria dizer a ele que estava tudo terminado. Então por que parecia tão difícil? (­ — — : )

b) É verdade que o achava meio estranho, eu disse. Mas não a ponto de cometer um crime tão horrendo, concluí. ( “  ” “  ” ! )

c) O céu estava azul o sol brilhava alto. Um dia lindo, de um modo geral, mas nada disso tocava o coração de Uchiha Sasuke para ele, só existia a missão que o esperava salvar Konoha antes que fosse tarde demais. ( ; :

 
Como este é um assunto bastante complexo, se desejarem correção dos exercícios, avisem nos comentários e mandem suas respostas para o e-mail do blog (ficwriterparaficwriter@hotmail.com), que eu corrijo para vocês, tá? ^^
Só não se esqueçam, por favor, de avisar que estão mandando os exercícios para correção.

Então é isso aí! Espero que tenham aproveitado esta aula, e até a próxima!

Fontes de pesquisa:

Gramática Nova – Faraco & Moura – Editora Ática
Aula sobre ponto-e-vírgula no AnimeSpirit (leiam esta também, será bom... Na verdade, eu super recomendo as aulas de lá! São maravilhosas, se puderem, leiam! Não se arrependerão! *--*)